Duas mãos

Eu lá, remoendo aquela mágoa, vi Mário se levantar e encarnar uma bailarina com a perfeição dos deuses. E enquanto ele dançava eu lembrava de tudo que representávamos, um para o outro e o outro para o seguinte. Por um instante eu toquei na mão de Deus e Ele me disse “Isso é onde você pertence, a classe dos sonhadores. Seu papel é sentir, entregue-se sem pudores”. Mário encarou depois samba, muito samba, jazz. Aquilo me remetia a Almodóvar, aquele black armado, shortinho jeans a camiseta sem manga em tom esverdeado. Mário de camiseta preta e bermuda multicolorida. Nós dois ali vivendo na ponta do coração pulsante, sem dinheiro, sem casa, sem comida, só aquela centelha de esperança que nem nome tinha, vivendo pelas 24 horas que segurávamos com as duas mãos.

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