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Os raios de sol entravam na minha pele violentamente, intimamente, como se soubessem que eu os queria, apesar da minha relutância. O vento forte me obrigava a respirar. Eu queria respirar, queria fumar um cigarro, queria uma vida possível. Era demodé, sobretudo para aqueles que se julgavam mais espertos, acreditar na felicidade, mas eu acreditava. Cria na felicidade como ir pra cama toda noite e sentir que estar vivo estava valendo a pena. E eu queria ser amado na mesma intensidade em que amava. Mas tudo era memória e o meu passado só me contava histórias tristes.

Os cigarros não tinham o mesmo o gosto, a areia, o mar. Tudo parecia diferente, um tanto incolor, um vazio que eu não sabia se podia chamar de paz. Parecia paz, mas eu continuava com medo. No dia seguinte os cigarros voltaram a ter gosto de tragédia e poesia, mas ainda estávamos vagando num tempo e espaço que não nos deixava confortáveis. Eu não sabia o que precisava ser feito, apenas esperava por um milagre, algo realmente bom, redefinidor, que trouxesse um pouco de paz, um monte de esperança e momentos de realidade que não parecessem saídos de algum drama pesado. Eu queria mais Almodóvar e menos Todd Solondz, embora, no fundo, eles me parecessem a mesma pessoa, contando as mesmas histórias sob diferentes pontos de vista.

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