As nuvens púrpuras

Revisitar histórias, ser diferente, perder e reencontrar a esperança. Os tempos dizem que o movimento é a marca da vida, embora haja, sempre, coisas que não parecem mudar. Não sei do que falo. Desconheço-me, desconheço o mundo, descubro corpos e lugares há tanto e tanto tempo. Sou um antigo. E, ainda assim, sou inteiro novo. Me banho em águas frias, respiro fumaça quente, o nado e o nada me contam histórias que às vezes gosto de ouvir e às vezes quero tapar os ouvidos para não escutar. Abraço o mar, fico perplexo diante de nuvens púrpuras; sou um náufrago e um pássaro curioso e assustado. Observo iguais, os diferentes, me apaixono pelo humano e me deparo, todos os dias, todas as horas, com o novo. O novo existe. Percorro massas cinzentas, descarto cinzas, faço do meu corpo meu templo e minha desgraça. Tento respeitá-lo, mas desbravo seus limites. Sigo na batucada da vida, ora como rei, ora como enjeitado, na sarjeta. Busco minha voz, exploro, testo, examino, ponho-a à prova. Desejo. Faço orgias, busco romance, ponho meus órgãos e meus sentidos à inteira disposição dos exploradores. Tenho um rio em mim. Derramo cachoeiras, provoco tsunamis, crio tempestades e explodo todo sol. Dizem por aí que esperar é morrer. Eu, aqui, meio morto meio vivo, espero e me movo. Me desfaço, me transformo em areia, subo grandes altitudes e contemplo. Escrevo. Porque escrever, como viver, não é preciso, embora precise. Mas é um caminho de descoberta, de dor, de alegria e de reflexão.

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