O antídoto

“Vamos pra luta que a vida é curta!”. Estava farto de lutar. Era deveras cansativo para um homem como ele, tão sensível, ter de travar tantas batalhas. A vida podia, e devia, ser mais leve. Aquela imagem de um homem pálido, o corpo magro segurando um escudo, os lábios pretos murmurando uma oração qualquer, não tinha encanto algum. Aquelas projeções bélicas não faziam sentido sequer ao mais orgulhoso dos homens. E ele era, a seu modo, um homem cheio de orgulho, apesar das pernas e braços finos e do coração em frangalhos. O sacrifício verdadeiro, então, era despir-se, abrir os sentidos e pôr-se diante da vida, como um estranho. Alguém haveria de olhar para aquela criatura desprotegida com algum afeto. Porque ao contrário do que muitas vezes imaginamos, não nos falta proteção, ele acreditava, mas uma generosa dose de bons afetos. Não conseguia pensar em antídoto melhor para uma guerra.

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