Defesa do entusiasmo

“Quem quer fazer, arranja um motivo. Quem não quer, inventa uma desculpa”, era a frase que ele sempre gostava de lembrar naqueles momentos em que exercitamos aquela habilidade de relativizar tudo, dependendo do real desejo. Pensava, em noites de nuvens levemente púrpuras como aquela, na auto-sabotagem que cometemos quando decidimos, em algum momento, olhar a vida com uma pretensa sobriedade. Quando em nome da “maturidade”, da “realidade”, olhamos pra ela com ar analítico demais, sucumbimos ao abismo da mediocridade. Há tantas e tantas realidades, ele acreditava. Há um metro de si, já era um mundo novo, uma pessoa que criava uma existência subitamente particular.

Pensava que em noites de nuvens púrpuras um encontro poderia revelar felicidade. A felicidade do encontro, da conexão (e pensava no corpo humano agora como máquina, bastante visual, com centenas de cabos encontrando seus devidos pólos) era, também, fruto de motivos e desculpas. Na mais completa imagem da complexidade, tudo transformava-se em movimento de impulso para algo. Que grata surpresa, assim, no deadline da vida, encontrar.

Um encontro mútuo, com estímulos contínuos, codependentes e vibrantes. A decisão era movimento. O entusiasmo, a fusão do encontro entre a fé e a sorte. Conversar resolvia problemas. Em todo o processo, início, meio e fim, era também conexão (e pensava agora no corpo humano como inteiro espírito, regendo a física, o aspecto mecânico, inteiramente alimentado do sentimento de amor).

Motivos pavimentam as estradas.

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