Gatos pretos

Ele se cansava facilmente do comportamento dis(simulado) das pessoas e por mais que apelasse às suas habilidades empáticas, era difícil não abalar-se por tantas tristes constatações. Mas estava cansado, também, de pensar e de sentir pelos outros. Queria cuidados, precisava de cuidados e sabia que só podia esperar por si mesmo. Recolheu, então, seu bloco de notas, caneta, isqueiro, seus cigarros, o lixo e foi dormir. Como sempre, acreditando que amanhã seria melhor, consciente de que ainda valia a pena estar vivo, pedindo por saúde e sabedoria e com apenas uma certeza percorrendo a cabeça em círculos: gatos pretos não trazem azar.

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