Quarenta e dois

Você quer ser uma pessoa mais justa? Ela sentiu que a pergunta o havia deixado um tanto desconcertado. Claro. Quero. Eu quero ser um homem justo; respondeu, desconcertado, mas certo. Isso é ótimo, porque eu acho que você tem bastante a melhorar nesse aspecto. Tenho um enorme senso de justiça, você vai poder aprender bastante comigo. De maneira geral, você vai se tornar uma pessoa bem melhor; ela disse. Você já percebeu o quanto as suas palavras soam prepotentes, menina? Tudo bem, podem soar. A verdade nem sempre soa bem. Sei que tenho muito a aprender com você também, e, acredite em mim, tenho consciência de que posso ser uma pessoa melhor, apesar de já ser boa o suficiente.

Ele ainda parecia descrente. Bem, dito isto, eu aceito seu pedido de namoro. Acho que a gente vai se dar bem. A gente tem bastante tesão um pelo outro, sempre nos tratamos bem, e o fato de termos começado nosso namoro com uma primeira dr mostra que o caminho é de evolução. Pelo menos eu enxergo assim. Hahaha. Linda, às vezes eu acho que você não bate muito bem. Eu nunca fiquei com uma garota assim antes. Tenho perfeito domínio das minhas faculdades mentais, não sou nem mais nem menos louca que qualquer outra pessoa que você conheça. Talvez, e somente talvez, eu seja uma pessoa realmente especial, é é exatamente por isso, apesar da dúvida, que você acaba de me pedir em namoro.

Ele não falou nada. Às vezes ele simplesmente não sabia como responder, então, apenas olhava para ela com olhos de encanto e beijava-lhe a boca. Ele achava que ela tinha a boca mais bonita que ele já havia tido a  oportunidade de tocar com os lábios. Enlouquecia com a maneira como ela o chupava. Ela gostava de uma boa rola.  Ou então gostava da boa rola dele. Fato é que ele só teve a certeza de que queria mesmo namorá-la quando acordou com o rosto dela entre as pernas dele às três e meia da manhã. Aquele foi o mais épico boquete que ele já teve a chance de receber de alguém. Nem o irmão bichinha do colega de faculdade e suas centenas de paus chupados supera aquela noite em que por quinze inacreditáveis minutos ela o transformou no homem mais feliz a ter pisado neste planeta. Não havia fome, contas a pagar, empregos medíocres, gente estúpida, corações partidos. Ele entendeu naquele momento que o mundo seria melhor se cada um tivesse direito a quinze minutos como aquele. Ele já era um homem melhor depois daquilo, como se aquela chupada tivesse lhe trazido toda a dignidade que ele duvidou merecer. Podia ser por amor, também, ou apenas pela carência, pela teimosia em tentar de novo e novamente. Mas ele a queria por perto, queria ter garantido seu direito a tê-la como propriedade. Ela é minha.

Ela sabia que aquele momento chegaria. Ele era um bom homem e ela nutria afeto genuíno por ele. Doze semanas, apenas. Doze semanas desde que ele perguntou a ela que horas eram

*

Começou cheirando a sunga do cara. Cheiro de rola o deixava excitado. Oito horas da manhã, nem tinha ido para a cama, ainda. Esfregou a cara, mordeu. Parecia presunçoso, mas não era. Cada boquete novo superava o anterior. Era como ter um superpoder ver um homem em estado pleno de gozo com tão pouco esforço. Tão vulnerável, tentando manter o controle para depois abrir mão. Chupou tudo. Gota por gota. Ele é do tipo que escolhe alguns felizardos para engolir tudinho. Essa deve ser uma das submissões máximas que um homem pode oferecer a outro. E se ele tivesse filmado? O boquete do século, aquele.

Esperava o elevador no corredor em tons de amarelo morno. Barulho de TV, vindo de uma das portas, algumas vozes. E então, o que mais?

*

Merda nas ruas, mijo, a cidade emporcalhada, fedida. Gente, muita gente, todo tipo de gente, todo tipo de reverberação.

*

O pau duro,  a atmosfera onírica do dia. Que viagem fantástica. Quanta genialidade escondida nos menores detalhes (por pior que soe a expressão). Não me interrompa, vadia, apague as luzes. Vai. Era uma energia mística, logo, sexualizada, impaciente, agoniante.

*

A gente precisa estar preparado para responder as perguntas difíceis.

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