Eu não poderia querer você, de qualquer forma

My faults were full and plenty
Yours tore me up
So it’s no wonder I’m thinking really
You’re better off

Jack Garrat, I Coudn’t Want You Anyway

__

Tem alguém usando uma ferramenta na vizinhança. Soa como uma furadeira.

Parou.

Voltou.

Estou pensando. Vagando, como sempre.

Não sei o que faz mais barulho: se os pensamentos correndo e gritando em minha cabeça, a mãe e a criança em conflito ou o equipamento estridente do vizinho.

Meus olhos ardem. Passou da hora de trocar esses óculos. Mas podem ter sido as lágrimas também.

Chorei porque não sou bom o suficiente pra você. Ah, que cômico seria, se não fosse trágico. E nem é trágico, na verdade.

É só a vida, acontecendo, atropelando a tudo e a todos sem qualquer piedade, mas com alguma misericórdia. Que contraditória, é a vida. Até a vírgula faz diferença, e eu não.

Eu posso ter cometido um erro, daqueles que a gente não gosta de admitir. Que pena. Mais um pra longa lista.

Ao menos para um de nós tudo parece ter caminhado muito mais que perfeitamente. Até fico feliz e sinto que é genuíno e nobre o meu sentimento. Ó, quão bom eu posso ser, depois da chuva.

E então em meio a tantos pensamentos e lembranças me vem uma presença muito clara e assombrosa e triste:

sua paixão

era deliciosa

e foi tão bom o que fizemos

e nos tornamos

naqueles quantos tempos…

Mas jamais passaria disso.

Não precisaríamos do passeio da montanha-russa.

Bastaria nascer um bebê.

E bastaria que eu voltasse em quatro horas, por não suportar um minuto mais.

E bastaria que eu soubesse que “Algumas pessoas não são leais a você. Elas são leais à necessidade que sentem de você. Uma vez que essas necessidades mudam, o mesmo ocorre com a lealdade delas”.

Sou eu que amo.

S

ó.

E amo o que nem mereço.

Não seria preciso também dizer como e por que você é tão melhor do que eu, em tantos e novos sentidos.

Parte do que você é sou eu quem crio. E eu te amo, por isso te aperfeiçoo.

Agora que não posso ser melhor pra você eu tento ser melhor pra mim, então.

E agora você finalmente tem suas palavras aqui!

Era algo que você parecia querer muito.

Embora talvez não fosse o que você esperava. Mas de certo você nunca esperou nada.

Nada

ndo

de braçadas

no mar

da indiferença.

Hoje eu não falo de esperança. Nem de adeus. Falo de nada, que é o que sobrou.

Só essas palavras. E a presença. Bú!

Eu não poderia querer você, de qualquer forma.

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