Para viver um grande amor

Um relacionamento importante se degringolando e mais um texto escrito no calor do momento que atinge um público maior do que eu poderia esperar. Uma das grandes vantagens de publicar numa plataforma como a Obvious é que se os editores compram seu trabalho, eles são capazes de fazê-lo chegar longe – com os ônus e bônus do pacote. Publicado originalmente em 05 de outubro de 2014 , “Para viver um grande amor” teve mais de mil e trezentos compartilhamentos na rede, e rendeu alguns comentários entre elogiosos e críticos quanto à redação – um deles citando, inclusive, que era o texto mais mal escrito lido em anos. “Preciso reavaliar minhas leituras”, concluiu Marcos Paulo Avila.

Em defesa do material, Paula Fernandes Soares da Silva respondeu:

“Acho q mto mais interessante e inteligente q esse seu comentário azedo seria enviar um email com o texto corrigido pra eles ou até postar aqui mesmo pra ajudar quem viesse depois de vc. Caso não lembre ou ~não seja do seu tempo~ os comentários foram feitos para contribuições ao texto e não apontar o dedo sujo pro autor. Quem não alcançou o seu maravilhoso nível intelectual(como eu) continua boiando e achando o texto o máximo. Qual o conceito de “mal escrito”? Quais os erros ortográficos e principalmente os gramaticais q eu não vi?(e queria mto ver realmente!!! Ler é aprender sempre, né?!). Queria muitíssimo ver um conteúdo tão bonito como esse magnanimamente reescrito sem nenhum erro pelo senhor!!!”

É bastante provável que no calor do momento, e da paixão, eu realmente não tenha feito a revisão adequada, vomitando as palavras e fazendo uma leitura mais analítica apenas posteriormente. Não lembro. Olhando pra ele agora, além do erros de redação que ainda encontro, o texto me parece confuso, estranho, desarranjado, afoito. Marcos talvez tivesse razão.

Mas tudo bem. Que bom que conseguiram ir além dos equívocos e dos códigos da palavra.

superimagem-megacurioso-561060159001318124

Paixão é aquele sentimento que quase te faz perder o ar diante do objeto de sua afeição. Que faz com que você queira passar as vinte e quatro horas do dia e os sete dias da semana ao lado da pessoa que parece conhecer cada detalhe do seu corpo e da sua mente, que mexe com você de maneira até então inimaginável.

Paixão é aquela ebulição, aquilo sobre o qual não se tem controle, que nos deixa protegidos, mas inseguros; que nos faz corajosos, mas também covardes. É um sentimento polar, capaz de provocar dor e delícia em doses igualmente cavalares. Insanas, até, eu diria.

Mas paixão é momentânea.

Por isso relacionamentos duradouros não sobrevivem de paixão, mas de admiração e empenho.

Casais juntos há cinco, dez, vinte, cinquenta anos, pautam a solidez de suas relações tomando decisões difíceis dia após dia. Decide-se dizer a verdade, decide-se ser fiel, decide-se ter paciência. Faz- se a escolha, diariamente, de permanecer junto àquela pessoa que nos ajuda a atravessar o mar tempestuoso que lava cada um de nós por dentro. Compromete-se com o outro a cada novas vinte e quatro horas.

É por isso que só pessoas maduras são capazes de amar.

Para viver um grande amor é preciso saber distinguir amor de paixão e isso só é plenamente possível depois de passar por experiências de paixão muitas vezes dolorosas e traumáticas.

Existem exceções, claro, mas para elas torna-se especialmente difícil lidar com a volatilidade dos nossos desejos. Pede-se então, dose extra de paciência, de si e do parceiro.

Muito mais comum, no entanto, é que em decorrência de experiências mal-sucedidas que geram traumas, as pessoas desistam de amar. Ou passem a acreditar que não merecem ser felizes. Que amar é uma tarefa para a qual não nasceram, cujo apenas alguns são privilegiados. Um triunfo do qual não compartilham.

Então, só veem diante de si dois caminhos:

1. Sujeitarem-se a relacionamentos fadados ao fracasso, em que não há afinidade, carinho, e, às vezes, nem desejo.

Projeta-se imagens que não reproduzem a realidade. É o que chamamos por aí de relações de aparência, essas cujo afã de parecer ser o que não são suga qualquer resquício de sinceridade para com os outros e para com elas mesmas. Permite-se que essas relações minem a autoestima dos que a compõem, muitas vezes adentrando um terreno de puro desrespeito. Mais traumas.

2. Afundar-se num terreno de solidão e inseguranças cada vez mais crescentes. Até que o coração se enrijeça e que passem a olhar com desprezo os que ainda se aventuram no terreno da vida pela experiência de comunhão com o outro, com os vários elementos que o outro representa.

O amor é o maior exercício para o qual fomos designados neste mundo. Claro, se vive amor de maneiras diversas, mas as relações afetivas e românticas são o epicentro da coisa toda.

São essas as mesmas pessoas que às vezes, numa conversa, zombam do amor. Aquelas que consideram ridículos os que ainda permitem-se e optam, diariamente, em viver suas histórias de amor.

Tudo bem, o amor pode ser zombado também. Pode ser ridículo.

Mas ridículo mesmo não são as palavras e descrições que não conseguem ultrapassar os clichês. Nada mais ridículo que gente que tem medo de amar.

Viver é uma tarefa para a qual não fomos treinados. Pessoas cometem erros. Muitos. Dos mais diferentes tipos. De que outra maneira se aprende? Triste mesmo é não saber superá-los. Por medo, ou pior ainda, por convicção.

Deixamo-nos vencer por traumas e experiências ruins várias. Deixamos de nos esforçar em compreender. Logo, deixamos de perdoar o outro mas deixamos de nos perdoar, também. Fechamos as portas para os outros, mas também para nós mesmos. Meio que deixamos de nos amar.

Para viver um grande amor é preciso pedir licença. Deem um passo ao lado, por favor, o orgulho que nos faz guardar rancores e mágoas em vez de conceder perdão. Passo ao lado, por favor, o medo e a insegurança que nos impedem de administrar e ajustar expectativas e realidades.

Não tem vocação maior que a de ser feliz. E a felicidade, como se sabe, é maior quando compartilhada.

As vinte e quatro horas do dia não dão conta do amor.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s