Cadê o podcast que estava aqui?, parte II + anúncios empolgantes

Como alguns de vocês sabem, no ano passado eu abandonei casa e carreira para embarcar nessa que tem sido a maior e mais difícil aventura da minha vida: a dedicação séria, responsável e profissional à arte e aos meus dons. Traduzindo: não me violentar mais realizando trabalhos sem paixão e interesse genuíno.

Durante seis meses, morei de favor em cinco casas diferentes até que pudesse voltar a pagar aluguel. Tive fome algumas vezes. Frio. Dormi mal. Mas mesmo antes, e também durante e depois, adaptei um texto para o teatro, lancei um single*, estudei cinema, performance e literatura. Fui pras ruas distribuir frases como um presente, andei de perna de pau e usei vestido e peruca ruiva.

*Rounds, meu single produzido pelo Vei Beats

Produzi um podcast, um formato com o qual noventa por cento das pessoas parece ainda não estar familiarizado (apesar do rádio ser invenção do século passado, e apesar de passarmos um bom tempo da nossa vida usando fones de ouvido). #EmoticonPensante

O podcast do Palavras Só Mudam Pessoas estreou em janeiro desse ano, no auge da minha revolução. Eu queria unir meu interesse pelo áudio como ferramenta de comunicação e a possibilidade de criar um conteúdo sem amarras, absolutamente livre, exercitando meus potenciais criativos nesse processo. Performando, entrevistando pessoas, debatendo temas subjetivos como medo e desapego, mas também quase palpáveis como machismo e intolerância. Falando de música e literatura.

Eu não sei se vocês estavam esperando pela edição desse mês do podcast. Não sei mesmo. Quero acreditar que alguns talvez sim, afinal, algumas edições chegaram a ultrapassar cem ouvintes. Em tempos de tantas vozes, é sempre um luxo ser ouvido.

De toda forma, ao longo dos últimos meses tenho recebido atenção e carinho de tanta gente, e de maneira até então tão inédita pra mim! Sinto que devo explicações a essas pessoas, afinal, essas pessoas são o meu público. Ninguém é artista sem público.

Então, em respeito a todo mundo que direta ou indiretamente tem contribuído com minha trajetória e com a trajetória do programa, quero informar que o podcast vai fazer uma pausa, após sete edições. É possível que volte para uma segunda temporada no ano que vem (gosto dessa ideia de temporada), mas nada certo. Por agora, pausa.

Tenho outros projetos engatilhados. As performances na rua e além continuam, a atividade do blog também, as pautas sobre música estão em andamento, e, sobretudo, espero prosseguir com o livro que tem sido gestado desde 2014. Praticamente não escrevi de 2015 pra cá, embora tenha maturado muito o enredo e os personagens. Também continuo estudando escrita literária, o que me deixa muito entusiasmado para aplicar na prática o que tenho vivenciado em sala de aula.

Eu aprendi demais com as edições que foram ao ar e ganhei muitas coisas. De tudo que a experiência nas ruas e a convivência com os amigos artistas me trouxe, a Whitney é o presente mais valioso e tangível. Ela chegou por acaso, sem que eu esperasse, e hoje anda com as pernas próprias, sem precisar de salto e muito menos de perna de pau.

Foi por acaso, mas acaba tomando caráter de revelação realizar que no podcast #1 eu não sabia exatamente que personagem eu estava levando pra rua. Já no último, o #7, a Whitney assume o comando e sabe exatamente o que está fazendo. Tanto que ganhou uma edição só pra ela. Se ainda não ouviu, ouça aqui.

No próximo dia 13 de agosto, às 23h, Whitney junta-se a outros artistas e estreia como performer no circo psicodélico Voyage, no Morfeus Club (Rua Ana Cintra, 110, metrô Santa Cecília). O Voyage Circus é um evento que promove trocas e interações afetivas/artísticas de forma quase utópica. ❤

Resumindo tudo: a minha rotina hoje ainda inclui o expediente três vezes por semana no Namoa Hostel, mas na maior parte do meu tempo eu estou criando, estudando, pesquisando e explorando minhas habilidades artísticas. Eu sei que esse é um privilégio enorme. A maioria das pessoas está na maior parte do tempo infeliz e aborrecida por não fazer aquilo que gosta, por inúmeras razões.

Mas infeliz sobretudo porque fomos criados para ser feliz na sexta e no sábado e pra morrer de angústia no domingo, porque a segunda representa o lugar ou a coisa para onde não gostaríamos de voltar. Então, sim, eu me sinto privilegiado mesmo não tendo dinheiro pra nada além de morar e comer. Eu tenho tempo para fazer o que gosto. Ter tempo pode ser melhor que ter dinheiro. 

Em tempo: todas as edições do podcast Palavras Só Mudam Pessoas estão disponíveis no Youtube. Aliás, o canal está monetizado, então, considerem deixar a propaganda antes dos vídeos rolando até o final. Compartilhem os links em suas redes sociais. São maneiras de ajudar também, se você curte o meu trabalho e também acredita que posso viver dele. 🙂 Você também pode colaborar com qualquer quantia fazendo um depósito ou transferência para minha conta bancária. Saiba como aqui.

Todas as edições do programa podem ser baixadas gratuitamente por meio do meu canal no Twine 😀

 

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