LES FEUILLES

Desde os dezoito anos criei e mantive blogs em que exercitei minha criatividade na forma de poemas, contos, discursos, breves relatos e histórias expostas quase em tempo real, num processo vivo e explícito.

Com todos esses projetos, mesmo que eu nem pensasse neles com conotação de negócio ou carreira, o passar do tempo mostrava que cedo ou tarde o conceito se expirava. Havia explorado o suficiente e a ideia parecia se concluir, como indicando um novo momento, uma nova fase, uma virada para explorar outros terrenos.

Assim, o Barefoot Blog, no Uol (onde, pasmem, cheguei a publicar uma entrevista comigo mesmo), se transformou no Barefoot, no Blogger, em que expurguei os sentimentos da primeira paixão com inúmeros “desconcertos”, e depois no The B Box, aqui no WordPress, em que tentei juntar num só lugar tudo que vinha construindo nas minhas experimentações com a palavra.

Les Feuilles obvious

O Les Feuilles, no Lounge, da Obvious, uma das maiores plataformas de conteúdo colaborativo em língua portuguesa na área de cultura, nasceu de uma vontade latente de escrever mais, sobre mais coisas, ser lido por mais gente, estabelecer novos contatos.

Só não consegui escrever mais: foram apenas vinte e nove publicações, dentro de um período de pouco mais de três anos.

Alguns desses posts, no entanto, tiveram centenas de compartilhamentos nas redes sociais. Um deles, “Quem tem medo de Lizzie Velasquez?”, chegou a viralizar, alcançando milhares de pessoas. Algumas delas entraram em contato comigo e fazem agora parte de um universo mais próximo. 

Mais importante que toda essa visibilidade, contudo, foi experimentar durante esse período a maturação do meu processo de escrita, tendo muitas vezes de esmiuçar-me enquanto artista e ser humano.

Andando com dúvida e acertando o passo ao longo do caminho, encontrando as palavras, as ideias, os fatos e a melhor forma de me conectar com as pessoas, ampliando temas e formas, criando uma assinatura.

No início acreditei que o Les Feuilles e o The B Box poderiam coexistir. O primeiro permitiria que eu navegasse no mainstream, terreno para criações mais palatáveis, factuais, que poderiam me dar alcance. O segundo me manteria no habitat underground, onde estavam as criações mais audaciosas, experimentais, densas, que me permitiriam impactar com profundidade.

O tempo revelou que não eu não conseguiria mantê-los como projetos independentes, e também não saberia exatamente como desenvolver uma relação entre eles. Meus editores na Obvious tampouco pareciam interessados nessa possibilidade.

Nos últimos meses de 2015, eles também não pareciam interessados em alguns dos meus melhores trabalhos, todos nadando na contramão da linha editorial que a plataforma sugere. A Obvious não estimula a publicação de contos, poesia e crônicas, tampouco aprova um modo narrativo que possam considerar “pessoal demais”.

Trocamos alguns e-mails sobre essas objeções, que serviram apenas para reafirmar o que já sabia: embora as publicações continuassem falando sobre livros, séries, filmes, discos e tudo mais que me comove e inspira (em sintonia com as áreas temáticas da Obvious), o modo como escolhi aborda-los, mesclando gêneros e bagunçando as normas do jornalismo, para eles não é adequado, nem interessante.

Fiquei com a sensação de que quando enfim encontrei minha voz, percebi que ela dissonava do coro. Por refutar uma experiência redutiva, em vez de me adequar, saí para tomar forma própria.

Como resultado desse processo, e de tudo mais que ocorre para que as coisas aconteçam, como gosto de dizer, o The B Box e o Les Feuilles, e os conceitos que eles representam, se casam em 2016 para formar este #PalavrasSóMudamPessoas, espécie de blog ativismo, performance literária, intervenção artística ou o que quer que seja.

Essa página existe para que alguns dos melhores textos publicados no Les Feuilles, e as histórias por trás deles, possam continuar repercutindo.

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